terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Carta

Querido Avô,
Nem sei por onde começar, tenho tanto para te dizer, tanto para te contar.
Queria te ter tido aqui por mais tempo, tanto o possível para me puder lembrar do teu abraço ou do teu cheiro. Há muito que isso desapareceu da tua casa e das tuas coisas.
Nunca me levaste á escola, nem sequer empurraste o baloiço em que tantas vezes andei. Nunca me levaste á pesca, nem nunca me fizeste torradas. Nunca viste as minhas notas, e muito menos os espectáculos da minha escola. Nunca dançaste comigo.Nunca me ensinaste a olhar o céu, aquele que eu agora tanto olho só para te tentar descobrir entre tantas nuvens.
Tenho saudades tuas.
Tem dias em que te sinto comigo, sinto mesmo. Naqueles dias em que mais ninguém parece me compreender ou reparar em mim sinto que não estou sozinha, acho que nunca estive. De certa forma sinto que sempre aqui estiveste e nunca, mas nunca me deixaste. Gosto de falar de ti, principalmente á minha mãe, ela fica triste não entendo  porquê. Á avó nem me atrevo a falar, ela ainda chora, mesmo passado tanto tempo as lágrimas teimam em não parar…
Já passaram 13 anos desde que te foste embora, desde aquele tão triste e estúpido dia em que eu vim com os meus pais do Porto, porque algo tinha acontecido. Não me lembro de muita coisa, afinal tinha 2 ou 3 anos, só me lembro de chegar á tua casa e todos á minha volta pareciam tristes e assustados. Eu não sabia o que se passava, ninguém sequer me contava. Apenas olhavam para mim tentando disfarçar o que sentiam.
Depois disso sempre me habituei a viver sem ter avô, sem ter sequer alguém com quem me pudesse sentar e falar da vida, alguém sábio. E da vida, tu sabias melhor que ninguém.
 Por vezes dou por mim a pensar em ti, tenho uma imagem de ti que talvez não seja a mais correcta, mas para mim é a que faz mais sentido, a que me sabe melhor ver e sentir.
Hoje, mais que nunca, sinto que se não te tivesses ido embora as coisas teriam sido bastante diferentes, juro que sim. Mas foste, e todos nós nos tivemos que conformar com isso, tivemos que aceitar isso.  Não te posso pedir para voltar, iria contra as leias da própria natureza. Mas posso pedir-te apenas que fiques, que fiques comigo e nunca, mas nunca deixes de fazer com que te sinta comigo todos os dias e toda a noite.

P.S: Quando puderes responde me… com as palpitações do meu coração.



Não um adeus, mas sim, até já <3

2 comentários:

  1. Bem, visto que este meu blog está a causar bastantes problemas peço-vos que me sigam pelo novo que já criei. Peço desculpa, mas terá de ser. Mais uma vez, desculpem * :)
    http://vornotsdd.blogspot.com/

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